Das #JornadasDeJunho a 2016: a tecnopolítica das ruas e das redes!

As #JornadasDeJunho foram o ponto de partida para último debate do Conexões Globais nesta sexta-feira (01/04). Em 2013, novas manifestações eclodiram por todo o Brasil sem lideranças definidas, surpreendendo políticos, intelectuais e empresas de comunicação. Foi quando o Brasil entrou definitivamente na rota dos movimentos em rede que já haviam se levantado em países como a Espanha, Tunísia e Grécia. 

Por aqui, tudo começou com reivindicações contra o aumento das passagens em diferentes capitais do país. Logo ficou evidente que esta demanda era permeada por uma intensa crise de representatividade. “Ficou muito claro de que se tratava de um novo padrão de mobilização social. As manifestações não foram convocadas a partir de centros privilegiados ou estruturas verticais. Foram chamadas pela internet”, pontuou o ativista Tiago Pimentel.

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O professor da USP Pablo Ortellado lembrou que antes de 2013 o Brasil já contava com uma longa história de revoltas contra oaumento de tarifas no transporte público. “Isso aconteceu quase 20 vezes antes de junho de 2013. Foram manifestações extremamente expressivas, embora restritas. A gente não ficou sabendo porque os meios de comunicação que filtram a informação que recebemos só cobrem notícias do Rio, São Paulo e Brasília”, sustentou.

Agora a história é outra: na internet todos são comunicadores. Ficou impossível pintar pontos de vista como se fossem realidades inexoráveis. “Não podemos dizer mais que há organizadores destas mobilizações. O que podemos, no máximo, é dizer que existem convocadores originais. A crise das representações não só às instituições democráticas, mas também aos meios de comunicação de massas”, ressaltou Tiago.

Nas ruas, em vez de bandeiras de partidos ou sindicatos, o que se viu foram cartazes individuais. De acordo com o professor da Ufes Fabio Malini, que se debruçou no estudo de  milhões de tuítes no Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), as principais demandas em 2013 eram por direitos. “A pauta era predominantemente de demandas sociais. Foi acachapante a demanda por mobilidade urbana, seguida por direitos de minorias, questões ambientais e também feminismo e a luta LGBT”, elencou.

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Vermelhos VERSUS verde e amarelos
Em contraponto, as pesquisas apresentadas por Malini indicam que as manifestações que chegaram às ruas em 2015 contam com pouquíssimas reclamações sociais. O professor Pablo Ortellado, que trabalha ao lado de Malini em algumas pesquisas, reforçou este ponto de vista: “As #JornadasDeJunho tinham a ver com defesa de educação, saúde e transporte público e também a rejeição do poder político. O que vimos em seguida foi um movimento anticorrupção se apropriando das manifestações”. 

De acordo com eles, este legado de mobilização em torno de um desejo de mudança do país está sendo agora recuperado por grupos de extrema direita. “Por fim, o que temos visto agora é uma grande polarização entre ‘petralhas’ e ‘coxinhas’. Mas não nos enganemos: ao mesmo tempo em que existe esta polarização, estão acontecendo uma série de mini-revoltas no Brasil. Quem tem muita certeza neste momento possivelmente é o que tem menos informação”, finalizou Malini.

O debate teve a mediação do ativista Marcelo Branco, e também abordou outros temas relacionados à violência nos protestos e diversas mobilizações  na internet que, embora não se transformem em marchas nas ruas, têm conquistado visibilidade e conseguido pautar o debate público, como as recentes mobilizações incentivadas por grupos feministas com as hashtags #MeuAmigoSecreto e #PrimeiroAssédio.

 

Acompanhe a gente nas redes!
Dá para conferir imagens de todas as atividades do Conexões Globais nos espaços do evento no Flickr e no Instagram. Acompanhe a hashtag #conexõesglobais e fique sabendo de todas as movimentações. Além disso, temos vídeos bem legais da coisa toda em nosso canal no YouTube.

Os diálogos do Conexões Globais – Cidades Democráticas continuam no sábado, com três mesas: “Porto Alegre: movimentos sociais por uma cidade mais democrática” (16h), “Diversidade sexual e de gênero: os desafios do ativismo na rede” (18h) e “Mulherada empoderada: os feminismos insurgentes nas ruas e nas redes” (20h). Teremos também, é claro, uma série de oficinas e shows musicais para amarrar toda essa discussão com muita integração e troca de conhecimentos.

Você, é claro, é peça fundamental em tudo isso! Vem pro Vila Flores!

 Fotos: Marcelo Curia e Anderson Astor
Nanda Barreto
2 de abril de 2016
Nanda Barreto - 2 de abril de 2016